120 Anos de nascimento de José Borges dos Santos

JOSÉ BORGES DOS SANTOS
1891 - 1979

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BIOGRAFIA
Texto elaborado por ANDRÉ LUIZ BORGES

Conforme escrituração no registro de Batismo, José Borges renasceu às cinco horas da manhã do dia 29.04.1891 na localidade de Vilares, na freguesia de Campelo, no Concelho de Baião, no Distrito do Porto, Região Norte de Portugal, filho de Justino José Borges e Emília Rosa Borges. Seu batismo deu-se sete dias após seu nascimento em 5 de maio na Igreja Paroquial de São Bartolomeu na freguesia de Campelo no Concelho de Baião.
Vista da cidade do Baião onde atualmente a freguesia de Campelo está inserida
Igreja Paroquial de São Bartolomeu onde José Borges foi batizado


Acesse o vídeo do Grupo Familiar Borges visitando pela primeira vez o local de nascimento de José Borges


O nascimento de José Borges deu-se durante a última Dinastia da Monarquia Portuguesa na regência de Dom Carlos "O Diplomata", penúltimo Rei de Portugal, que regeu entre 1889 – 1908. Também no ano de seu nascimento desencarnaria D. Pedro II em Paris que foi o segundo e último imperador do Brasil.
D. Pedro II

O final do século XIX e início do século XX foram marcados por significativas mudanças na vida política portuguesa. Contemporâneo dos incisivos momentos do final da monarquia, José Borges tinha 17 anos incompletos quando a 1º de Fevereiro de 1908, a família real que regressava a Lisboa depois de uma temporada no palácio real de Vila Viçosa, sofreu um atentado quando a carruagem com a família real atravessou o Terreiro do Paço e foi atingida por disparos vindos da multidão que se juntara para saudar o rei. Carlos I morreu imediatamente juntamente com o herdeiro Luís Filipe, Duque de Bragança, saindo ferido no braço o príncipe Manuel, que sucederia seu pai tornando-se D. Manuel II o trigésimo quinto e último Rei de Portugal.
Carlos I
 D. Manuel II o trigésimo - quinto e último Rei de Portugal.
Família real no Terreiro do Paço (mais conhecida como Praça do Comércio)
Terreiro do Paço ou Praça do Comércio
Apartir da esq.: André, Renet e Clarice, Orlando, Veleida e Rosângela

No dia 5 de Outubro de 1910 deu-se a Implantação da República em Portugal, após um período conturbado, obrigando Manuel II abandonar o país e seguir para o exílio no Reino Unido. José Borges tinha 19 anos quando estes fatos ocorreram. Ou seja, o mesmo foi contemporâneo dos fatos culminantes da história portuguesa. O fim da monarquia e o início da era republicana.

Conviveu com o Governo Provisório da República (1910-11) e assistiu a formação da I República Portuguesa (1911-26) e sua evolução que se desenvolveu nas seguintes fases: República Velha (1911-17); República Nova (1918) e Nova República Velha (1918-1926).

Aos 21 anos de idade testemunhou a participação de Portugal no primeiro conflito mundial (1914-1918). Neste esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens. As perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de custos econômicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional.
Maio de 1917

José Borges tinha então 31 anos quando veio para o Brasil durante a gestão de Antônio José de Almeida (1919-23), 60 Presidente da República Portuguesa, e o único que cumpriu o seu mandato na totalidade dos presidentes da primeira República. Era precária a situação econômica e social em que viviam as pessoas neste período difícil da história de Portugal, sendo, aliás, este o motivo maior de sua vinda para o Brasil, em busca de melhor sorte.
José de Almeida

§§§

No dia 06 de dezembro de 1922 chega José Borges no Brasil, acompanhado de seu irmão Antônio Borges que irá trabalhar como funcionário da ferrovia Madeira-Mamoré na cidade de Porto Velho capital do Estado de Rondônia. Após breve estada na região amazônica, José Borges dirigiu-se para a construção do Açude de Pilões em São João do Rio do Peixe na Paraíba como Mestre de Obras, e em seguida rumou para o Ceará, onde fincou raízes e desfraldou a bandeira de seu ideal.
José e Antônio Borges
Barragem do açude de Pilões na Paraíba


Durante a década de 20, José Borges atuaria em duas grandes obras que ainda hoje são ícones da arquitetura de Fortaleza, a Ponte dos Ingleses construída pela companhia inglesa Nestor Grifts, para ser o Porto de Fortaleza, substituindo a antiga Ponte Metálica e da construção do Excelso Hotel, por Natali Rossi, ainda hoje o maior prédio do mundo em alvenaria.
 Excelso Hotel na Praça do Ferreira em 1930
Ponte dos Ingleses ou Ponte Metálica

O fato é que ele tinha uma extraordinária facilidade em desenhar plantas e fachadas de prédios, como por exemplo: o Salão da Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, fachada e auditório do GEAP, Casa de Saúde Antônio de Pádua, sua residência, e muitos outros. Relata-se que tivera um sonho em que se vira em traje dos antigos egípcios como arquiteto construindo edificações. Durante a última reforma da atual fachada do GEAP, o espírito José Borges afirmara que com as próprias mãos assentara tijolos naquela casa.
No segundo qüinqüênio da década de 20, José Borges conhece Francisca Maciel que enferma é tratada pelo médium Antônio José Cerdeira do Centro Espírita Cearense com medicação homeopática. Com esta iniciação ao Espiritismo, José Borges passa a freqüentar as reuniões do Centro Espírita Cearense. Francisca Maciel tornaria sua esposa no dia 1º de fevereiro de 1927, aos quais nasceriam 13 filhos, dentre eles Orlando Borges dos Santos (16.08.1934), 30 filho do casal.
José Borges ladeado por Francisca Macial (esq.) e Maria Maciel (dir.)
José Borges sentado à direita, no centro seu patrício Henrique Magalhães, e os filhos Milton (sentado) e em pé a partir da esquerda Valdir, Orlando Borges, Edison e Darci.

Passando a freqüentar as sessões doutrinárias na residência de Antônio Alves de Linhares (foto) integrou no dia 26 de julho de 1928 como um dos fundadores do Grupo Espírita Auxiliadores dos Pobres assumindo a função de Bibliotecário.
Praça Pelotas em 1932

O "Auxiliadores dos Pobres" como carinhosamente era denominado, funcionou apartir de 1932 na residência de MANOEL COELHO DA SILVA  (também conhecido como Manduca Coelho) numa casa situada na praça Pelotas, Villa Amazonas, nome alterado posteriormente para praça da Bandeira e atualmente praça Clóvis Beviláqua.


No dia 1º de setembro de 1930, José Borges emprega-se no estabelecimento comercial de Antônio Ferreira Passos (armazém de fumo) como Auxiliar do Comércio exercendo esta função até o dia 31.12.1943. Em 2 de janeiro de 1944 assume o cargo de empregado viajante (também conhecido como caixeiro viajante e que atualmente denominamos de vendedor) no Armazém de fumo até 1959 quando aposentou-se. Nesta função realizou inúmeras visitas e palestras espíritas pelo interior do estado do Ceará.

No entanto, é no Grupo Espírita Auxiliadores dos Pobres que construirá toda sua trajetória na condução do movimento espírita alencarino. Em 26 de julho de 1931 é eleito pela 1a vez Presidente do GEAP e reeleito em 1932. Ardorosamente atuante, esteve sempre à frente de todas as iniciativas sugeridas e efetivadas.
GEAP nos anos 50

Participou com outros companheiros de ideal, dentre eles Manoel Coelho da Silva (foto), José Feliciano da Silva e Joaquim Manoel de Carvalho, na consolidação das sociedades espíritas que surgiram naqueles dias, tais como: Liga Espírita Léon Denis (1933), Grupo Espírita Allan Kardec (1933), Grupo Espírita Deus e Caridade (1934), Centro Espírita Pedro, o Apóstolo de Jesus (1936), Centro Espírita Joana D’Arc (1938) e inúmeras outras.
José Borges juntamente com Antônio Ferreira Passos, Teodorico Barroso, Euclides César, Humberto Cruz, participou de uma grande polêmica de caráter religioso, pelos jornais, com um sacerdote local.

Ainda, nos anos 30 em especial o triste ano de 1937, com a implantação do Estado Novo de Getúlio Vargas, José Borges teve que lutar incansavelmente quase na clandestinidade para proteger os elevados interesses da Doutrina e do Movimento Espírita no Ceará. Chegou a ser detido por insistir na abertura das atividades nas casas espíritas quando então à época fora decretado a proibição de reuniões públicas, mas liberado quase de imediato pelas autoridades que reconheciam em José Borges a fidalguia de seus ideais.

Pai exemplar encaminhou todos os filhos para a Escola de Catecismo Espírita (antiga denominação que posteriormente passou para Evangelização Espírita Infantil e atualmente Escola de Educação Espírita para Crianças e Jovens) e mais tarde a Mocidade Espírita Cearense, na qual fundara em 1948.
Família Borges por volta de 1967

Na década de 40 é eleito Presidente da Confederação Espírita Cearense, entidade agregadora do movimento espírita para o biênio 45/46, sendo reeleito sucessivamente para os biênios de 47/48 e 49/50. Neste período publicou os jornais “Ceará Espírita” com José Elias de Correia e o “A Voz do Alto” com Antônio Isaías de Jesus, promoveu a criação de uma livraria espírita, e conseguiu espaços nos órgãos noticiosos como o Correio do Ceará, Unitário e O Jornal para a divulgação dos postulados espíritas pela pena de diversos colaboradores. Apoiou a fundação da Legião Espírita Feminina de Ester Sales e da Casa de Saúde Antônio de Pádua com José Ferreira Mota.

Casa de Saúde Antônio de Pádua anos 50

Nos dias 21 a 23 de novembro de 1950, liderada por Leopoldo Machado (foto Maurício Holanda, Leopoldo Machado e JB) juntamente com outros caravaneiros no sul do país chegam à Fortaleza com o propósito de Unificação da família espírita dos estados do nordeste e do norte do Brasil em torno do Pacto Áureo. E em decorrência direta desta memorável passagem da Caravana da Fraternidade a União Espírita Cearense é fundada no dia 05 de agosto de 1951 e José Borges dos Santos é aclamado presidente da UEC a qual foi reeleito sucessivamente até o seu último mandato (sétimo), 1963/64.

Os anos 50 foram marcados por intensas atividades tendo a frente a força e o carisma de José Borges e a participação de inúmeros companheiros de ideal. Fundou o Centro Espírita Jardim Evangélico Bezerra de Menezes em 1953, estruturou o Departamento de Infância e Juventude (1954), organizou as Confraternizações de Mocidades Espíritas (a primeira em 1956), Confraternizações dos Centras Espíritas (a primeira em 1956), comemorações no dia 18 de abril de 1957 na praça José Bonifácio do Primeiro Centenário da Codificação do Espiritismo.

3ª Confraternização Norte e Nordeste de Mocidades - 1955

Concomitante as suas atividades espiritistas, José Borges ainda dirigiu de 1966 a 1969 a Presidência da SOCIEDADE BENEFICENTE PORTUGUESA DOUS DE FEVEREIRO (fundada em 02/02/1872). Em diversas ocasiões festivas, José Borges e sua companheira Fransquinha (assim chamada na família) ciceroneavam os grandes banquetes da Beneficência marcando época com seus pratos típicos e deliciosos de bacalhau.
 JB na Beneficência Portuguesa

Orador eloqüente soube como ninguém levar a mensagem do Consolador com entusiasmo, fé e profundos conhecimentos. Sabia de cor diversos poemas e orações famosas, a ponto de saber recitar com sua extraordinária memória os versos dos Lusíadas de Camões. Mantinha-se atualizado pelas constantes correspondências com as diversas colônias portuguesas da época (hoje, todas independentes de Portugal).


Na qualidade de grau 33º da maçonaria, cujo ingresso nesta ordem fraternal remonta a Portugal foi durante décadas, assíduo e atuante Obreiro da Loja Fortaleza nº 3 (que foi juntamente com as Lojas Deus e Camocim n° 1, Porongaba n° 2 as fundadoras em 19 de março de 1928 da GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DO CEARÁ), exercendo diversas funções ritualísticas.

Durante a ditadura militar de 1964, seu espírito aguerrido, apesar do avanço da idade, ainda teve que enfrentar as agruras do regime que influenciado por interesses escusos de terceiros tomou de assalto a Casa de Saúde Antônio de Pádua, provocando um litígio que durante sete anos, após recorrer e vencer em todas as instâncias da lei conseguiu a sua última vitória no Supremo Tribunal Federal em Brasília que reconheceu a ilegalidade da ação militar e a imediata restituição da instituição hospitalar para sua legítima patrona, a União Espírita Cearense.
 Em decorrência da hercúlea luta as forças vitais do velho guerreiro não resistiram às decepções, traições e infortúnios outros que lhe abalaram a saúde, e provocando seu desencarne em 22 de setembro de 1979 aos 88 anos de idade em Fortaleza, retornando ao Lar Espiritual, para dar continuidade as suas tarefas, na condição de espírito liberto das limitações humanas. Partia assim, para o Mundo Maior, o grande e último responsável pela implantação do Movimento Espírita do Estado do Ceará, dignificado pelo trabalho e devotamento à Doutrina Espírita. Pela primeira e única vez, saiu da sede da União Espírita Cearense, um cortejo de despedida da Casa que viu surgir e abrilhantar na história do movimento espírita cearense, um de seus mais ilustres seareiros. Centenas de admiradores, amigos, familiares, funcionários da Casa de Saúde Antônio de Pádua, representantes de sociedades espíritas, maçonaria, beneficência portuguesa e os dirigentes e trabalhadores do GEAP/UEC estiveram lado a lado para dar o último adeus àquele que é o maior ícone do espiritismo cearense do século XX.
Cerimônia de despedida de José Borges deste plano físico com prece proferida por Orlando Borges (22 de setembro de 1979)

Nos anos 80, José Borges foi homenageado postumamente juntamente com o nome de Manoel Dias Branco, seu patrício já desencarnado, fundador do Grupo Empresarial M. Dias Branco (Fábrica Fortaleza) numa cerimônia promovida pela Sociedade Beneficente Portuguesa Dous de Fevereiro e a Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará no Hotel Praia Centro aos dois grandes e ilustres membros de suas fileiras.

Por lei nº 5313, de 03 de outubro de 1980, por proposta do enfermeiro então vereador Joaquim Pinheiro de Almeida, uma das ruas no bairro Sapiranga, perto da lagoa de mesmo nome, recebeu a denominação de José Borges dos Santos. (Diário Oficial do Município, nº 005, de 09/10/1980).


Hoje, José Borges na espiritualidade, instrui-nos que a encarnação humana é na verdade o cadinho de aperfeiçoamento, onde cabe cada um o somatório de esforços para a construção de um mundo melhor. Seu elevado espírito entende que fez uma pequena parte e que poderia ter feito muito mais. Mas também tem consciência que o seu profundo amor e dedicação poderão inspirar os trabalhadores espíritas do presente e de tempos futuros nos passos luminosos da Doutrina dos Espíritos!


Comentários

  1. Por favor, André Luiz Borges é irmão do Ernesto? Ambos foram escoteiros na década de 70? Sou Edelberto e gostaria de reencontrá-los. edelberto@hotmail.com

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